Diva's day
Dzi Croquettes

Tunísia
Este é um momento importante na história da Tunísia. Este que desde 1987 até janeiro de 2011 foi governado por Zine El Abidine Ben Ali, que após protestos deixou o país. Hoje a população aguarda ansiosa pelas eleições que instituirá a democracia no país. Apesar de tenso é emocionante presenciar este momento da história acontecer tão próximo a mim. Recordarei descrevendo este episódio em muitos momentos de minha vida.
Logo que cheguei na Tunísia fui para meu hotel e no dia seguinte tive prova com os músicos e três horas depois minha estréia que foi realmente especial. Com uma banda de nove músicos, pude sentir a música de uma maneira unica, com músicos super profissionais e empenhados em fazer o melhor show. Quase morri no palco na ultima música, estava em êxtase total, tão enlouquecida que me esqueci até mesmo de respirar. Posso dizer que todo dia é uma festa, até mesmo na segunda feira tenho que estar com o gás total. Muitas são as pessoas especiais que encontro na Tunísia, do motorista passando pelos garçons, músicos e gerente. Todos com uma atenção especial comigo. Me senti tão bem recebida e desta forma minha admiração e paixão por este país só aumenta.
Bailarino x Vida Pessoal

Como estudante e também fã de carteirinha de nomes conceituados na Dança do Ventre venho acompanhando há 12 anos o trabalho de grandes personagens do Brasil e exterior. Através de fita cassete, shows, DVD's e vídeos postados no youtube, pude ser espectadora da evolução e posso dizer transformação de alguns nomes dança do ventre.
Assistindo a um vídeo de uma grande bailarina comecei a refletir sobre como a DV ao longo dos anos se transforma. Acredito que a evolução é algo conceituado como progressivo com principio, meio e fim, assim como a vida. Penso que na arte até um momento podemos considerar a evolução algo relevante a fim de motivar a busca incansável pela perfeição. Porém, ao chegar em um determinado ponto, acredito que o artista passa a "transformar" sua arte e a evolução passa a ter caráter temporal. A transformação na dança está relacionada aos sentimentos e as vivências da vida real do artista interferindo no resultado final da obra.
Vale lembrar que dentro do universo de interpretação da Dança do Ventre existem duas vertentes se tratando de apresentações solo.
Uma delas é que a bailarina monta uma sequência pré-determinada para uma música, dedicando tempo de ensaio e planejamento coreográfico para que o resultado final seja o mais previsível e desejado. Esta vertente existe e com ela é possível coreografar até mesmo o sorriso no momento correto e desta forma os objetivos traçados serão com mais facilidade alcançados. Outra vertente muito criticada porém muito usada é a improvisação de uma música escolhida pelo próprio bailarino. Cada um a sua maneira busca estudar os acentos, melodia e ritmos existentes na sua música e sua obra será criada no palco. É nesta vertente que a essência do bailarino é apresentada ao público assim como os sentimentos, a paixão pela dança e claro o profissionalismo de realizar tal façanha e levar o público ao delírio. Não que uma coreografia não exija os mesmos sentimentos, porém, a complexidade na improvisação faz com que a sensibilidade do artista seja mais exigida. Posso ainda colocar uma situação ocorrente com bailarinos que nem mesmo tem a oportunidade de escolher a música que conhece ou deseja interpretar. Posso citar exemplo de vários restaurantes no Brasil e exterior em que a escolha da música é feita por outro bailarino, restaurante, ou pelos músicos no caso de banda ao vivo. Neste caso o conhecimento de ritmo e musicalidade são questões de sobrevivência.
Podendo observar minhas musas na dança, vejo que a dança não se restringe somente a técnica, sentimento, alma e coração; mas tudo isso interligado ao momento em que o bailarino vive em sua vida pessoal, em sua evolução como ser humano e não somente como bailarino. Nos bastidores acabamos sabendo da vida pessoal de algumas e como todos, o bailarino também tem vida pessoal; vai ao supermercado, se estressa no trânsito, se diverte com a família, também tem fases difíceis e de felicidade tremenda assim como qualquer ser humano normal. Tudo isso irá interferir no conjunto final na obra.
Como bailarina vejo como algumas fases de minha vida influenciaram minha dança. Pego meus vídeos e fico impressionada com a diferença de um para o outro. Por vezes alguém vem até mim e comenta algo do tipo: "Como sua dança está diferente!” ou “Você estava mais sentimental nesta dança”, e até mesmo “Eu preferia quando você colocava mais sentimento na sua dança a se preocupar com técnica..." eu já ouvi. O mais impressionante é que em algumas vezes que me senti tão feliz no palco uma ou outra crítica não favorável aparecia. Já aconteceu também de não estar nada bem e depois de um show escutar: " Você estava estupenda e plena!" Vai entender. Acredito que a dança está no corpo e na alma de quem executa, mas também está na sensibilidade do espectador.
Desta forma proponho aos meus colegas uma reflexão sobre a crítica que colocamos sobre a técnica sem a sensibilidade de entender o que realmente o artista está querendo nos apresentar. Sei como espectadora que muitas vezes nos decepcionamos quando esperamos tanto para assistir determinado artista e quando o grande momento chega por vezes a pergunta é : "Só isso?" ,"Eu queria ver mais !!!" Por vezes vamos a uma apresentação já imaginando como será. Que tal mudar e deixar se surpreender. Tente ver o artista pelo que ele é naquele momento e não o que você gostaria que ele fosse. Acredito que um pouco de sensibilidade como espectador tentando entender a dança não só como estética ou técnica, poderá lhe proporcionar mais prazer e proximidade com a arte e a beleza da dança.
Como bailarina penso que a veracidade do amor pela pela dança será transmitida pela intensidade dos sentimentos a serem expostos. Desta forma acredito que essa individualidade torna a dança tão uniforme em seus objetivos e tão diversificada em seu resultado. Que tal voltar-se para se, explorando os acontecimentos de sua vida transformando-os em arte.
Fotos: Lulu Sabongi, Soraia Zaied e Carlla Sillveira
