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Diva's day

Mulher é vaidosa por natureza, umas menos outras mais , porém todas possuem seus rituais de beleza. Quando falamos de bailarinas o cuidado fica ainda maior pois a exposição e sua imagem perante o público passa de vaidade à respeito para com seu público.

Aqui nos Emirados o fim de semana é de acordo com a religião muçulmana. Desta forma a sexta feira é o dia de orações e o fim de semana fica sendo a sexta e o sábado. O show de quinta é o mais importante da semana, é neste dia que as mulheres lotam os salões de beleza as pessoas se vestem da melhor maneira e saem para jantar, se divertir e assistir nosso show. É nesse dia que preciso estar perfeita, me sentir linda e preparada para arrancar muitas palmas dessa galera.

O Diva's Day, foi um dia que elegi como o dia onde faço tudo o que é necessário para me sentir uma verdadeira Diva. Barba cabelo e bigode ... hehehhehe Na verdade: Unha, hidratação, cabelo, depilação, sombracelhas e aquela make up caprichada com toda a atenção. O figurino é escolhido a dedo, o sapato passa pela revisão de solado e fecho. Neste dia também tento fazer alguma entrada diferente, cabelo ou acessório sempre pensando em surpreender.

Tudo preparado e o retorno do público é quase que garantido. É muito gostoso ter a participação da galera e ver que estão curtindo. No fim do show o que fica é o suor que encharca a roupa e a sensação de missão cumprida. Depois disso é se jogar na cama e terminar o Diva's day com o descanso dos deuses !!!

Escolha o seu Diva's day! Bailarina ou não, você merece esse carinho ao seu ego e sentir-se poderosa sempre!!!

Algumas fotos do Diva's day





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Dzi Croquettes

Em se tratando de dança e música o Brasil é referencia no mundo. A musicalidade e o ritmo parecem estar no DNA e desta forma somos reconhecidos culturalmente no cenário mundial. "I'm from Brazil", basta dizer essa frase para que as palavras mágicas sejam ditas com o maior entusiasmo: "futebol, carnaval, samba!" De fato a história faz referencia ao movimento da arte no Brasil, basta buscar os registros e encontraremos fatos históricos importantes que foram influenciados diretamente pelo movimento artístico no nosso país.

Sabemos como a censura foi dura e incisiva nos anos 70, vetando e calando os artistas dessa época. A repressão marcou a vida de muitos artistas que ainda hoje relatam seus terrores vividos neste período no Brasil. Com um governo ditador e exercendo poder absoluto, o uso da força e agressividade foram lançados sobre os artistas que eram acusados de produzir material revolucionário.

Nos anos 70 o grupo Dzi Croquettes fez história e revolucionou o teatro e a dança no Brasil. Em meio ao cenário repressor da ditadura militar, um grupo de homem travestisdos de mulher, confundindo o espectador misturando o universo feminino e masculino em um só ser. O grupo criticava a ditadura por meio de sátiras, deboche e quebrando regras com relação a sexualidade. "Não somos damas nem cavalheiros; desculpem não somos homens, mas também não somos mulheres, somos gente, nós reunimos tudo e nos transformamos em uma só coisa: GENTE, exatamente como vocês". Esta frase define o quão polêmico para a época foi esta forma de expressão artistica. Sem dúvida foi um grande movimento não só para revolucionar o teatro e dança mas também para a causa gay que começava a tomar força.

Este grupo revolucionou os conceitos de uma época e foram além da arte, eles fizeram história. O que produzimos artisticamente se acumula ao longo dos anos, décadas e assim vamos construindo a identidade cultural de nosso país.

Para quem se interessa em saber mais sobre a história desse movimento no Brasil vale a pena assistir ao documentário completo. É uma verdadeira aula.

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Tunísia


Posso começar a contar minha passagem pela Tunísia dizendo o quanto estava ansiosa para trabalhar nesse país. As minhas expectativas foram superadas em todos os sentidos. Começo pelo valor cultural que este lugar tem a oferecer e para se explorar. Tantos são os locais históricos para visitar, o artesanato, música e dança tradicionais.

A região onde trabalho fica ao norte do país.A lendária Carthage fundada em 814 a.c , foi uma das maiores cidades da história em se tratando de tamanho e fama, sendo ela considerada capital do grande Império Phoenicien no qual dominou integralmente o Mediterrâneo. Por seis séculos desde sua fundação o norte da África prosperou, isto devido ao poder do comércio, cultura e uma política diplomática. As três Guerras Punicas, travadas entre Roma e Carthage marcaram o inicio do fim para a cidade africana. Tudo foi destruído e transformado em um grande arado. Em 122 a.c os romanos iniciaram a reconstrução sob o império de Julius Caesar e Augustos.

Os árabes conquistaram a região no século VII da Era Cristã e transformaram a cidade de Tunis no mais importante centro religioso islâmico do norte da África. Em 1574, a Tunísia é incorporada ao Império Turco-Otomano e permanece administrada por governadores turcos (beis) até 1881, quando se torna protetorado da França. Na Segunda Guerra Mundial, o país, ocupado pelos alemães, tornando-se em palco de combates. Com o fim do conflito floresce o movimento nacionalista tunisiano (OLDANI, Ricardo; SANTORI, Daniela, 2010).As ruinas que hoje podemos visitar são uma referencia histórica do quão grandiosa foi a cidade de Carthage e a sensação é de reviver e sentir a história. Ao olhar superficialmente veremos um monte de pedras, porém a representatividade é algo que fascina.


Outro lugar mágico é a vila de Sid Bou Said, com traços da arquitetura Andaluz é uma elegante área residencial perto da orla marítima. As portas decoradas são uma atração a parte e merecem uma fotografia para eternizar a sensação de estar neste lugar. Fumar xixa, tomar um café e comer docinhos tunisianos, isso acompanhado de uma vista maravilhosa para o mediterrâneo é um ótimo convite para um fim de tarde. Sem dúvida um dos momentos mais importantes que vivi em 2011 foi admirando esta vista e agradecendo a Deus por cada momento que me fez chegar a aquele lugar.

Este é um momento importante na história da Tunísia. Este que desde 1987 até janeiro de 2011 foi governado por Zine El Abidine Ben Ali, que após protestos deixou o país. Hoje a população aguarda ansiosa pelas eleições que instituirá a democracia no país. Apesar de tenso é emocionante presenciar este momento da história acontecer tão próximo a mim. Recordarei descrevendo este episódio em muitos momentos de minha vida.

Logo que cheguei na Tunísia fui para meu hotel e no dia seguinte tive prova com os músicos e três horas depois minha estréia que foi realmente especial. Com uma banda de nove músicos, pude sentir a música de uma maneira unica, com músicos super profissionais e empenhados em fazer o melhor show. Quase morri no palco na ultima música, estava em êxtase total, tão enlouquecida que me esqueci até mesmo de respirar. Posso dizer que todo dia é uma festa, até mesmo na segunda feira tenho que estar com o gás total. Muitas são as pessoas especiais que encontro na Tunísia, do motorista passando pelos garçons, músicos e gerente. Todos com uma atenção especial comigo. Me senti tão bem recebida e desta forma minha admiração e paixão por este país só aumenta.

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Bailarino x Vida Pessoal

Como estudante e também fã de carteirinha de nomes conceituados na Dança do Ventre venho acompanhando há 12 anos o trabalho de grandes personagens do Brasil e exterior. Através de fita cassete, shows, DVD's e vídeos postados no youtube, pude ser espectadora da evolução e posso dizer transformação de alguns nomes dança do ventre.


Assistindo a um vídeo de uma grande bailarina comecei a refletir sobre como a DV ao longo dos anos se transforma. Acredito que a evolução é algo conceituado como progressivo com principio, meio e fim, assim como a vida. Penso que na arte até um momento podemos considerar a evolução algo relevante a fim de motivar a busca incansável pela perfeição. Porém, ao chegar em um determinado ponto, acredito que o artista passa a "transformar" sua arte e a evolução passa a ter caráter temporal. A transformação na dança está relacionada aos sentimentos e as vivências da vida real do artista interferindo no resultado final da obra.


Vale lembrar que dentro do universo de interpretação da Dança do Ventre existem duas vertentes se tratando de apresentações solo.

Uma delas é que a bailarina monta uma sequência pré-determinada para uma música, dedicando tempo de ensaio e planejamento coreográfico para que o resultado final seja o mais previsível e desejado. Esta vertente existe e com ela é possível coreografar até mesmo o sorriso no momento correto e desta forma os objetivos traçados serão com mais facilidade alcançados. Outra vertente muito criticada porém muito usada é a improvisação de uma música escolhida pelo próprio bailarino. Cada um a sua maneira busca estudar os acentos, melodia e ritmos existentes na sua música e sua obra será criada no palco. É nesta vertente que a essência do bailarino é apresentada ao público assim como os sentimentos, a paixão pela dança e claro o profissionalismo de realizar tal façanha e levar o público ao delírio. Não que uma coreografia não exija os mesmos sentimentos, porém, a complexidade na improvisação faz com que a sensibilidade do artista seja mais exigida. Posso ainda colocar uma situação ocorrente com bailarinos que nem mesmo tem a oportunidade de escolher a música que conhece ou deseja interpretar. Posso citar exemplo de vários restaurantes no Brasil e exterior em que a escolha da música é feita por outro bailarino, restaurante, ou pelos músicos no caso de banda ao vivo. Neste caso o conhecimento de ritmo e musicalidade são questões de sobrevivência.


Podendo observar minhas musas na dança, vejo que a dança não se restringe somente a técnica, sentimento, alma e coração; mas tudo isso interligado ao momento em que o bailarino vive em sua vida pessoal, em sua evolução como ser humano e não somente como bailarino. Nos bastidores acabamos sabendo da vida pessoal de algumas e como todos, o bailarino também tem vida pessoal; vai ao supermercado, se estressa no trânsito, se diverte com a família, também tem fases difíceis e de felicidade tremenda assim como qualquer ser humano normal. Tudo isso irá interferir no conjunto final na obra.


Como bailarina vejo como algumas fases de minha vida influenciaram minha dança. Pego meus vídeos e fico impressionada com a diferença de um para o outro. Por vezes alguém vem até mim e comenta algo do tipo: "Como sua dança está diferente!” ou “Você estava mais sentimental nesta dança”, e até mesmo “Eu preferia quando você colocava mais sentimento na sua dança a se preocupar com técnica..." eu já ouvi. O mais impressionante é que em algumas vezes que me senti tão feliz no palco uma ou outra crítica não favorável aparecia. Já aconteceu também de não estar nada bem e depois de um show escutar: " Você estava estupenda e plena!" Vai entender. Acredito que a dança está no corpo e na alma de quem executa, mas também está na sensibilidade do espectador.


Desta forma proponho aos meus colegas uma reflexão sobre a crítica que colocamos sobre a técnica sem a sensibilidade de entender o que realmente o artista está querendo nos apresentar. Sei como espectadora que muitas vezes nos decepcionamos quando esperamos tanto para assistir determinado artista e quando o grande momento chega por vezes a pergunta é : "Só isso?" ,"Eu queria ver mais !!!" Por vezes vamos a uma apresentação já imaginando como será. Que tal mudar e deixar se surpreender. Tente ver o artista pelo que ele é naquele momento e não o que você gostaria que ele fosse. Acredito que um pouco de sensibilidade como espectador tentando entender a dança não só como estética ou técnica, poderá lhe proporcionar mais prazer e proximidade com a arte e a beleza da dança.


Como bailarina penso que a veracidade do amor pela pela dança será transmitida pela intensidade dos sentimentos a serem expostos. Desta forma acredito que essa individualidade torna a dança tão uniforme em seus objetivos e tão diversificada em seu resultado. Que tal voltar-se para se, explorando os acontecimentos de sua vida transformando-os em arte.


Fotos: Lulu Sabongi, Soraia Zaied e Carlla Sillveira

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