Dançar está além do movimento, da música, de compassos e passos. Dançar é estar em harmonia com o ser, com o existir. Esta pode ser a minha percepção e a minha definição no que diz respeito ao tema "Dança" porém definir e conceituar a dança pode ser de extrema complexidade pois é uma prática que se faz presente e materializada pelo sentimento, sensações e emoções do corpo humano em relação ao estimulo musical.
Nesta primeira postagem sobre esse tema procurei achar algumas definições que nos mostrem como a dança pôde se desenvolver desde sua origem e como é entendida nos dias atuais.
Para Caminada (1999) expressar a dança através de palavras se constitui numa tarefa que soará sempre imperfeita. Porém definições que busquem tais referencias são tão antigas quanto a origem do homem e da dança. A dança pode ser entendida por cópia ou interpretação de movimentos e ritmos inerentes ao ser humano. As regras foram incorporadas pouco a pouco e desta forma a disciplina quanto aos movimentos tomou espaço nos ambientes formais.
A estética passa desde então ser o ponto principal no que diz respeito à arte de dançar. O homem dança impulsionado por algum tema e em variadas ocasiões porém, a essência que é objeto para o homem primitivo é sempre o mesmo: vida, força, abundância e saúde. De fato a conexão entre a dança e ser humano se faz presente desde a antiguidade sempre buscando extrair do homem os seus mais profundos sentimentos e sensações. Pode-se dizer que a dança se estabeleceu no cotidiano dos povos afim de identificar suas características e seus hábitos.
Segundo Rangel (2002) não há como elencar um número de referências bibliográficas em relação à dança em si, mas de buscar através destas, apontar de certa forma um conjunto de idéias que retratem o entendimento que se tem do que é dança. Entende-se a dança como arte, como um conjunto de expressões gestuais, ou faciais através de movimentos corporais, emoções sentidas a partir de determinado estado de espírito. Na dança, o homem se encontra com seus mais profundos sentimentos de paz e fúria, ao mesmo tempo em que se emociona e enche de prazer com passos que podem ser coreografados ou improvisados com uma marcação, seja ela serena ou pulsante.
Segundo Barbosa (1986) apud Rangel (2002) a dança é ainda um contínuo aprendizado, onde sempre se vivencia algo de novo, novos acontecimentos e emoções. Tal citação refere-se a dança como estimulo para a aprendizagem e ilimitada quanto as suas abordagens. O dançar envolve aspectos culturais, religiosos e sociais assim podemos entender a dança como uma manifestação do ser humano que se faz sólida por materializar tais aspectos através de gestos corporais.
Em sua obra Caminada (1999) cita exemplos de temas que delimitam a dança de acordo com alguns períodos históricos. Dentre tais temas encontra-se referência à danças de fecundidade, estas que estão diretamente ligadas à agricultura e estiveram desde o inicio associada às mulheres, mas só tiveram representatividade nas culturas agrícolas quando o homem assumiu o trabalho do campo. Deve-se entender as danças de fecundidade levando em consideração que, para mentes primitivas, não existe idéia de prazer ou deleite dos sentidos mas de algo vital, de comunhão com a natureza e de perpetuação da espécie.
Diante de tais citações pode-se perceber como a dança está relacionada com fatores essenciais do cotidiano do ser humano seja em sua origem ou em tempos atuais. De fato o contexto que relaciona a dança a fertilidade não se faz mais presente nos dias atuais, no entanto a dança continua relacionada com a expressão cultural de um povo, revelando através de movimentos caracteristicas de uma determinada região.
Referências:
CAMINADA, Eliana. História da dança: Evolução cultural. Rio de Janeiro- RJ: Sprint, 1999.
RANGEL, Nilda Barbosa Cavalcante. Dança, Educação, Educação Física. Jundiaí – SP. Editora Fontoura, 2002.

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